quinta-feira, julho 3

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Desapego
(des)dobra
prega;

Desapego
dessa

(de)pressa.

domingo, junho 29

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Seriam as nossas memórias sensíveis ao acaso a ponto de atraírem-se, não por outra, mas justamente por aquela característica que, embora quando se apresente traga tonalidade distinta e profundidade rasa, soma-se comum ao novo: um par de olhos amendoados... O Outro é ele mesmo, porém por força do teu reconhecimento é também Outro na parte que te toca, e sendo-Outro, fará parte dessa memória em breve.

Lembrete: se friccionares a pele daquele corpo-Outro, guardas dele o cheiro próprio; o mais que inspirares deve ser paciência, que aos poucos assimilarás como o teu corpo...

sábado, maio 24


Ilustração do 64, K. S. ArtBook

terça-feira, março 25

 Audrey's da minha vida.




terça-feira, março 11

Livro primeiro
Elementos de uma má reputação

As coisas sombrias do mundo ignorado tornam-se vizinhas do homem, ou porque haja verdadeira comunicação, ou porque as distâncias do abismo tenham crescimento visionário; parece que as criaturas invisíveis do espaço vêm contemplar-nos curiosas a respeito da criatura da terra; uma criação fantasma sobe ou desce para nós, no meio de um crepúsculo; ante a nossa contemplação espectral, uma vida que não é a nossa agrega-se e dissolve-se, composta de nós mesmos e de um elemento estranho; e aquele que dorme, nem completo vidente, nem completo inconsciente, entrevê as animalidades estranhas, as vegetações extraordinárias, as cores lívidas, terríveis ou risonhas, as larvas, as máscaras, os rostos, as hidras, as confusões, os luares sem lua, as obscuras decomposições do prodígio, o crescer e o decrescer no meio da espessura turvada, a flutuação de formas nas trevas, todo esse mistério que chamamos sonho, e que não é mais do que a aproximação de uma realidade invisível. O sonho é o aquário da noite. 
Assim sonhava Gilliatt.    


Os trabalhadores do mar, Victor Hugo



quarta-feira, março 5

«Tendes a vantagem de serdes homens, e creio às vezes, do fundo do meu cansaço de todos os abismos, que mais vale a calma e a paz de uma noite da família à lareira que toda esta metafísica dos mistérios a que nós, os deuses e os anjos, estamos condenados por substância. Quando, às vezes, me debruço sobre o mundo, vejo ao longe, indo do porto ou voltando a ele, as velas dos barcos dos pescadores, e o meu coração tem saudades imaginárias da terra onde nunca esteve. Felizes os que dormem, na sua vida animal, ― um sistema peculiar de alma, velado em poesia e ilustrado por palavras.»


A hora do Diabo, F. Pessoa

sexta-feira, janeiro 31


Cazuza's exhibition.

quinta-feira, janeiro 30

Atalanta

De luz tanta é terra santa, 
das borboletas de todas as cores; 
-as manhãs são mães dos homens, 

a força que é simples e vem do nome
alcançou outros extremos: chegou 
em terra de apóstolo fundador
(onde o céu raramente é estrelado). 


De luz tanta emana paz e amor.


quinta-feira, janeiro 16

16

Olhos sem profundidade, olhares de imensa brutalidade censuram a vida em cada mulher. São insultos em pares a pernas, braços, seios, nádegas e outras partes – não importam se escondidas –, de homens cegos a qualquer gentileza. "Com todo o respeito": abertura secular da violência escolhida elogio; você é tão bonita, nem precisa de maquiagem. Incrédula, penso, eu ouvi isso de pais de família. E não do maluco da Lapa.


terça-feira, janeiro 14

Sopro
poema,
um por dia;

Por ora,
assobio
poesia.


Os olhos abertos da morta

"Para os outros, o universo parece honesto. Parece honesto para as pessoas de bem porque elas têm os olhos castrados. É por isso que temem a obscenidade. Não sentem nenhuma angústia ao ouvir o grito do galo ou ao descobrirem o céu estrelado. Em geral, apreciam os "prazeres da carne", na condição de que sejam insossos."


História do olho, Geoges Bataille


segunda-feira, janeiro 6

1

Pente fino. Ressaca dos dedos ao encontro das leves ondas do cabelo agora curto, quase joãozinho. Embora já algo crescido, retém pouco do sonho amanhecido – antes revolvido até chegar-se ao fim do comprimento –; corte de um passado repicado e dormido. Cada fase uma cabeça, um corte; mais menininha, alguns elogiam. Quando a expressão dos dias cinza, sobretudo, das noites sem companhia escolhida é uma cortina turva sobre os olhos, um cansaço sem esforço, – que só de repouso é feito sonho.


sábado, janeiro 4

3

Dormir em casa de amigo é... não dormir porque há mais pernilongo que sono, mais calor, mais bocejo, vontade de'; menos sono. É conversar sobre o ano que acabamos de deixar; os casórios dos jovens de vinte anos, – uns evangélicos, outros católicos. Não falamos dos sem condições, ou dos sem juízo, nem da vontade de' daqueles que tiveram mais vezes nove meses do que anos fizeram. Isso enquanto a uma e meia despertávamos quem já sonhava na cama ao lado da nossa, da rede cor-de-rosa, da criança, – mini imperador romano.


sexta-feira, dezembro 20

La vie, alors.

Le Minotaure ou la halte d'Oran

"Pour comprendre le monde, il faut parfois se détourner; pour mieux servis les hommes, les tenir un moment à distance. Mais où trouver la solitude nécessaire à la force, la longue respiration où l'esprit se rassemble et le courage se mesure?"



L'été, Albert Camus


quarta-feira, dezembro 18

Num posto policial em reforma

Numa folha de sulfite impressa,
uma cacofonia desconhecida: "Cartão Sodexo";
-XX- porque a letra não é apenas isto,
também ela é o quê da questão.


sexta-feira, dezembro 13

Da bizarra iluminação natalina

L.E.D.

Pisca-pisca letargia,
pisca no asfalto o néon ciano.
Cidade de alma elétrica,
onde não há ledo engano...

Sem esquinas de encontro,
ruas sem saída por onde ir;
apenas uma boate deserta,
sempre aberta à noite sem fim...

Luz, somente na escuridão;
infinita nos postos de gasolina,
menos nos postes de iluminação.


domingo, novembro 24

changes are always necessary like sleeping...

"Save your sermons for someone that's afraid to love, if you knew what I feel, then you couldn't be so sure, I'll be right here lying in the hands of God. If you never flew why would you cut the wings of a butterfly?" 
C. L.

sábado, novembro 16

The Honey Trees - Moon River (The LoFi Sessions)

Quando a saudade não vale a pena, 
o que se faz com o que se deixa pra trás?


domingo, novembro 10

"Urgência de si..."

Primeira parte, Roma


"As poesias interrompidas revelavam, mais do que qualquer outra coisa, o seu mal-estar. Em meados de novembro se jogou na cama num domingo à tarde e só saiu de lá na terça de manhã. Tinha perdido qualquer interesse pela vida, embora não tenha desejado a morte por um segundo sequer." 


Três, Melissa P.

terça-feira, novembro 5

Fale-me mais sobre isso...

"Viver e deixar de viver são soluções imaginárias. 
A existência está em outra parte." 

-André Breton